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Estrela 16 - Solanum cernuum Vell. (ou Solanum castaneum Carvalho)

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As bonitas que me desculpem, mas, para ser estrela, beleza não é fundamental. Apelidada Árvore do Rato Morto, se existe uma flor feia, é esta. Tanto que, certa feita, depois de apresentar a um grupo de amigos a arvoreta de 3,5m de altura – na ocasião vergada ao peso de inúmeras flores minúsculas, dotadas de longos, desproporcionais, pardacentos e hirsutos pecíolos – senti-me quase culpado diante do desencanto geral. Aí, na tentativa de revigorar os ânimos abatidos pela desalentadora visão, não resisti e chutei: – Mas é medicinaaaal! O efeito foi incrível, todos se mostraram alegremente dispostos a crer nos poderes curativos, porém tive que confessar: – É brincadeira, foi só para animar. Anos depois, o botânico Harri Lorenzi me revelou que o nome popular do infeliz vegetal era Panacéia, ou seja, remédio para toda enfermidade. – Então eu estava certo! Foi meu primeiro pensamento, mas em seguida, fulminando esta ilusão, me baixou uma grave suspeita: ela não era medicinal coisíssima nenhu...

Estrela 15 - Dieffenbachia sp. (Costa Rica)

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Logo ao adentrar o Sombral Graziela Barroso, os visitantes geralmente se espantam com o tamanho descomunal de umas plantas, trazidas por Burle Marx das selvas da Costa Rica, que lembram muito as popularmente chamadas “comigo-ninguém-pode”. Mas não sendo da espécie picta , aquela comum e que sabemos ser venenosa, pertencem ao mesmo gênero Dieffenbachia , ao qual o povão atribui poderes de afastar “mau-olhado”. Por isso é que as nossas agigantadas Dieffenbachiae aqui estão apelidadas de “comigo-ninguém-mas-ninguém-mesmo-pode”, fazendo, cum grano salis , corresponder tamanhos e poderes, o que, óbvio, não é sempre verdade. Sendo um de nossos afazeres mais importantes o back up do acervo vegetal, há algum tempo fizemos outro grupo, com mudas dessa mesma planta, em outro lugar do SRBM, onde vieram a florir agora (fevereiro de 2009). O gênero Dieffenbachia tem cerca de 140 espécies, 13 da Costa Rica. Se alguém conseguir identificar esta espécie, por favor me avise.

Estrela 14 - Ficus mysorensis var pubescens

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Ficus mysorensis B. Heyne ex Roth var. pubescens Roth. A parte meridional da Índia tem duas costas que formam os lados de um ângulo agudo apontado para o sul: a do Coromandel, banhada pelo golfo de Bengala, e a ocidental que é a Costa do Mysore, frente ao Mar da Arábia. A notória perspicácia dos meus leitores me autoriza supor que ambos já adivinharam de onde vem a estrela desta vez. Aqui no Sítio, ela reina absoluta, superembasada num raizame que mais parece um congresso de sucuris promíscuas e que capta irresistivelmente a atenção de TODOS os visitantes. Fazendo jus à má fama das raízes dos ficus, estas já deram uma rasteira mortal num pau-rei ( Pterygota brasiliensis ) vizinho. Agora, tudo indica que se preparam para desferir um golpe de misericórdia num incauto pau-ferro ( Caesalpinia ferrea ). Quando cheguei ao SRBM para ser diretor, em 1995, estas raízes espaventosas ficavam invisíveis, submersas na folhagem oportunista de uma espécie de jibóia muito comum, o pé-de-gal...

Estrela 13 - Chloroleucon tortum

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Chloroleucon tortum (Mart.) Barneby & J.W.Grimes Chamada vulgarmente de Jurema, Jacaré, Tataré e outros nomes, esta árvore nativa de Búzios e Cabo Frio (segundo Pio Corrêa vai do Rio de Janeiro até o Pará) é uma leguminosa incrivelmente retorcida. Até seu legume (legume em botaniquês designa fruto seco que se abre por duas fendas laterais) contorce-se a ponto de formar, não uma vagem, com silhueta de vagem, como as das outras leguminosas, mas uma bolota enovelada que lhe valeu o antigo nome científico Pythecolobium que significa orelha de macaco. Roberto Burle Marx a usou bastante em jardins – há vários grupos no Aterro do Flamengo e nos jardins da Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro – e, maravilhado, fez inúmeros desenhos do exemplar do SRBM, nos quais ressaltou o tronco bicolor, descamante e convulsionado, onde a aversão desta espécie à linha reta é mais conspícua. Desenho de R. Burle Marx - 1964

Estrela 12 - Copernicia cerifera

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Copernicia cerifera M . Esta é a Carnaubeira ou Copernicia cerifera , a palmeira que nos dá a cera. O Sr. Johnson, um dos da Johnson & Johnson, comprou em Fortaleza uma área de mais de um milhão e quatrocentos mil metros quadrados (que depois doou à Universidade Federal do Ceará) para testar quantas Copernicia pudesse e chegou à conclusão de que a cera da velha e boa carnaúba era realmente a mais adequada. Roberto Burle Marx viu nela outras qualidades e a usava em paisagismo. Segundo Pio Correa, chega a 40m de altura e a 200 anos de idade. No Sítio existem três delas. Possuem aspecto quase extraterrestre , tal a estravagância de feições que absolutamente não se prestam a poetices do tipo “ vento que balança as folhas ...” etc.. Não ! Esses rígidos leques fazem algo muito diverso de balançar suavemente : tremeluzem (o verbo existe), isto é, cintilam ao sol enquanto vibram em alta freqüência à mais leve brisa . No fuste , as bainhas remanescentes das f...

Estrela 11 - Pandanus baptisti

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Pandanus baptisti Hort. Existem mais de 700 espécies deste gênero , com 1216 nomes encontrados. Esta é a última , de mais ou menos meia dúzia , a ser utilizada em paisagismo por aqui . Para ser estrela , tamanho não é documento . É o caso deste pândanus, um pigmeu . Diferente de seus primos agigantados, os P. pacificus e P. tectorius , a estrela desta vez funciona como planta de cobertura de terreno . Para quem prefere não ter que ficar de cócoras , arrancando mato , apresenta a preciosa vantagem de alastrar-se ( alguns pândanus realmente caminham) sem permitir que ervas invasoras sobrevivam no mesmo canteiro . Possui, como mais expressivas características , a cor – uma vibrante e luminosa mistura de verde e amarelo em finas listras – e a anfibiovalência – palavra ( cuja inexistência acaba de ser corrigida) que designa sua capacidade recém descoberta (ao menos , por nós ) de viver tanto na terra quanto em cantei...

Estrela 10 - Euryale ferox

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Euryale ferox Salisb. Quem seria capaz de imaginar que existisse no planeta algum vegetal comparável à Victoria regia ? Pois ... existe! Não tão espetacular , é claro – seria exigir muito – mas , ainda assim , incrível . Ela perde da Victoria, nossa íntima , em dois itens importantes : não tem aquelas conspícuas paredes verticais de 15cm nas bordas das folhas e sua flor é muito menor . Mas as folhas possuem área equivalente e a mesma estrutura imersa , capaz de grandes vãos . Além disso, o desenho delicado em linhas vermelhas que interligam os numerosos espinhos (daí o ferox ) da vasta superfície é uma autêntica chinoiserie . Trata-se da Euryale ferox do Yang-tse e da Asia tropical . Pertence à familia Nymphaeaceae ou , às vezes – o que já parece exagero de preciosismo botânico – Euryalaceae . É a mais recente estrela do Sítio . Em menos de 6 semanas de plantada já apresentava folhas com 1,5m de diâmetro . Consta ...