quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Estrela 01 - Ficus pseudopalma


Ficus pseudopalma Blanco

Talvez o único espécime no Brasil hoje. Asiática, natural das ilhas Filipinas, foi classificada por Francisco Manuel Blanco (1778-1845).
Esse pé de planta tem uma história intrigante:

Quando dava aulas de paisagismo na Escola de Belas Artes da UFRJ, eu mostrava aos alunos as plantas e, de preferência, as identificava. No caso dos Ficus apelava freqüentemente para o “sp.” (termo que se utiliza quando se conhece o gênero e ignora a espécie). Era Ficus sp. aqui, Ficus sp. ali, até que uma aluna mais exigente reclamou. Passei então a levar para o campo o precioso livro-do-Carauta (Professor Jorge Pedro Pereira Carauta). Cada vez que nos deparávamos com uma figueira, tentávamos identificá-la com base em seus ensinamentos, dentre os quais encontrei a primeira notícia da estrela de hoje. A mera menção de seu nome causa um choque em quem conhece um mínimo de botânica. Como seria possível um fícus parecer (pseudo) uma palmeira (palma)? Relatava que havia um no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Fomos procurá-lo. Estava perto da obra de implementação do play-ground e, para falar a verdade, se fosse uma dracena seria talvez insignificante, mas como fícus... era um espanto!!!
Falei dele para RBM. “– Como é isto?” foi sua reação. Expliquei o que tinha acabado de aprender e elenão poderia ser diferente – mostrou-se bastante interessado.
Ao voltar ao JBRJ com outra turma, por volta de 1985, tive a desagradável surpresa de ver que o raríssimo Ficus não mais existia. Comentei com Roberto que chegou instantaneamente a um estado de indignação quase furiosa.
Nosso saudoso mestre Roberto morreu em 1994. Em 1995 fui cedido pela UFRJ para ser diretor do SRBM e, uns três anos depois, ao passar por um lugar que percorria diariamente, enxerguei algo em que mal pude acreditar. estava, na floresta, mimetizando-se em meio a folhagens diversas, meio estiolado pela falta de luz solar direta, esticando-se para cima, com uns 8 metros de altura, porém sem chances de sobrepujar suas concorrentes, o Ficus pseudopalma! Fizemos o possível em termos de podas, abrindo espaço para aquela preciosidade. O professor Benjamin Ernani Diaz, que se tornaria conselheiro do Sítio (autor, em parceria com o professor Carauta, do livro Figueiras no Brasil – Editora UFRJ, 2002 –), confirmou – era mesmo ele.

Permanece o mistério: Roberto o plantou e esqueceu ou o fez ainda sem saber seu nome? Quando? De onde veio? Quem o trouxe para o Sítio?

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